precisamos conversar
sexta-feira 25 de agosto de 2017 às 14:22 | Arquivado em: Hidden Thoughts, Música, What Watch

Ultimamente venho ouvindo muitas pessoas reclamando de alguns estilos musicais sem mesmo sequer saber a origem dele, ou seja, sem ter nenhum conhecimento prévio para formar uma opinião para início de uma conversa.

Sabemos que não somos obrigados a ouvir o que todos escutam, mas também não temos direito de menosprezar qualquer um deles, e sim respeitar o gosto de qualquer um.

Por muito tempo tive vergonha de falar com as pessoas o meu gosto musical, que muitas vezes é criticado por muita gente do meu meio de convívio. Um exemplo disso é: se eu falo que gosto de rock, é de uma forma geral, envolvendo todos os derivados nele contido. Mas o que as pessoas fazem? Acha que eu só escuto isso, que eu sou estranha, que não entendem o que eles cantam. Então quando digo que gosto de jazz, samba, mpb, blues, indie e diversos outros estilos, não acreditam.

Agora me diga: O que você ganha rotulando as pessoas? Não podemos curtir sem agredir?

Eu não gosto de muita letra que ouço atualmente na minha língua, como o sertanejo ou funk, mas eu não sou capaz de julgar quem escuta ou quem canta, porque todos nós temos gostos diferentes e vivências diferentes, então eu vou respeitar o espaço de cada um. Por isso quando saio e está tocando, não há nada que eu possa fazer além de escutar e continuar a viver.

Agora que já falei um pouco sobre isso vamos falar sobre outro preconceito.

Estávamos falando sobre um bar de rock que seria inaugurado e uma pessoa fez o seguinte comentário: “Mas colocando um postar da Amy Winehouse na porta traz uma apologia à drogas”.

Fui a loucura! O fato dela ter usado drogas não inibe a grande artista que já foi um dia, se ela está ali é uma homenagem. Então eis que surge mais um comentário: “Não existe uma justificativa para usar drogas”. Diante disso, prefiro ficar na minha e não discutir com alguém que não se abre para outros pontos de vista, logo, mudo de assunto.

Quando vamos começar a ter um pouco de empatia e entender o que aconteceu com ela ou com diversos outros artistas e porque levavam esse estilo de vida? Mesmo vendo o que aconteceu, não temos nem um pouco de noção do que ela passou. Sim, foi errado e também muito delicado o que ela fez, mas diante de tanta pressão sofrida começamos a entender o porque.

Convido vocês a verem o documentário disponível na Netflix sobre ela e assim comentar sobre esse tema. Ela foi um cantora e compositora excelente e não podemos menosprezar isso pelo estilo de vida que ela levou, e sim pensar como perdemos uma pessoa tão talentosa.

Mas a última coisa antes de me despedir, quem somos nós para julgarmos uns aos outros?!

Com amor,

Belli Burton

 



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2 Comentários em “precisamos conversar”


Ana Melo | 25-08-2017 às 15:27 | Responder

Bela, interessante as suas reflexões. Vc falou da música, do estilo musical e seus preconceitos. Infelizmente não para por aí. É com relação, à cor, à religião, ao modelo físico, ao local onde se mora, ao grau de escolaridade, etc, etc. Outro dia tive que ouvir que mulher da favela não deveria ter filhos pq iria se tornar bandido. Depois de muito argumentar, a pessoa (que mora num bairro de baixa renda) não absorveu o quanto preconceituosa estava sendo e infelizmente concordei pra não render. Era uma discussão inútil. Rótulos parecem essenciais ao ser humano. Começa na família, depois na escola, depois na vida social. O pior é que pode se transformar em algo pior, como bulliyng e morte. O mundo pós-moderno é muito complexo. Ao mesmo tempo que temos acesso à muita informação, também não sabemos tratar criticamente essas informações. Tudo é muito superficial. Fugaz. E tudo isso crio o infeliz senso comum em que as pessoas reproduzem, reproduzem e não fazem a mínima ideia do que estão falando.

belliburton | 25-08-2017 às 16:09 | Responder

Exatamente, deixamos de consumir conteúdo para disputar quem argumenta mais baseado no nada! :/


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